segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Sertanejos bolsonaristas lideraram captação de recursos enquanto aliados atacam a Lei Rouanet

21/12/2025 2065 visualizações
Sertanejos bolsonaristas lideraram captação de recursos enquanto aliados atacam a Lei Rouanet

A crítica recorrente de parlamentares do PL à Lei Rouanet expõe uma contradição difícil de sustentar diante dos dados públicos. 

Entre os maiores beneficiários dos mecanismos de incentivo cultural estão cantores sertanejos que apoiaram abertamente o ex-presidente Jair Bolsonaro. Enquanto o discurso bolsonarista tentou associar a Lei Rouanet a artistas “de esquerda”, levantamentos jornalísticos e dados do próprio sistema de incentivo cultural mostram que nomes ligados ao sertanejo comercial — muitos deles alinhados ao bolsonarismo — figuram entre os campeões de captação de recursos. 

Um dos críticos mais vocais da política de incentivo à cultura é o deputado federal Nikolas Ferreira. Em seus discursos, o parlamentar trata a Lei Rouanet como sinônimo de privilégio e desperdício de dinheiro público. 

No entanto, omite que artistas alinhados ao campo político que ele defende foram amplamente beneficiados pelo mesmo mecanismo. 

📊 Lista de cantores sertanejos que mais se beneficiaram da Lei Rouanet (valores aproximados, somados ao longo de anos, considerando autorizações e captações via incentivo cultural, conforme reportagens e bases públicas


) 1. Gusttavo Lima – cerca de R$ 50 milhões 2. Bruno & Marrone – cerca de R$ 45 milhões 3. Leonardo – cerca de R$ 42 milhões 4. Chitãozinho & Xororó – cerca de R$ 38 milhões 5. César Menotti & Fabiano – cerca de R$ 35 milhões 6. Zezé Di Camargo & Luciano – cerca de R$ 32 milhões 7. Eduardo Costa – cerca de R$ 28 milhões 8. Amado Batista – cerca de R$ 23 milhões 9. Henrique & Juliano – cerca de R$ 20 milhões 10. Fernando & Sorocaba – cerca de R$ 19 milhões Todos esses artistas manifestaram apoio público a Jair Bolsonaro em algum momento, seja em campanhas eleitorais, declarações públicas ou participação em eventos ligados ao bolsonarismo. 

É fundamental esclarecer um ponto frequentemente distorcido no debate: a Lei Rouanet não repassa dinheiro diretamente do governo aos artistas. Trata-se de um mecanismo de renúncia fiscal, no qual empresas escolhem quais projetos culturais apoiar. Ainda assim, o discurso político seletivo transforma o instrumento em alvo ideológico quando convém. O problema, portanto, não é a lei, mas a hipocrisia do discurso. Quando os recursos beneficiam artistas alinhados à direita, o tema é silenciado. 

Quando beneficiam projetos culturais populares, educativos ou ligados à diversidade, surge a indignação moral. Criticar a Lei Rouanet sem reconhecer quem realmente mais se beneficiou dela não é defesa do interesse público — é uso político da desinformação. 

A coerência exigiria apenas duas opções: – Ou se critica o mecanismo como um todo, com dados e honestidade; – Ou se admite que o bolsonarismo também foi amplamente beneficiado por ele. Negar isso não é opinião. É negar fatos documentados.