quinta-feira, 16 de abril de 2026

Mudanças climáticas potencializam surtos alérgicos e risco de mortes respiratórias; entenda

19/04/2025 2185 visualizações
Mudanças climáticas potencializam surtos alérgicos e risco de mortes respiratórias; entenda
Cientistas do mundo todo estão em alerta para uma ameaça silenciosa, porém crescente: a intensificação dos surtos alérgicos causados por pólen em função das mudanças climáticas. A tendência aponta para um aumento drástico de casos de asma, rinites e até episódios extremos, como o registrado em Melbourne, Austrália, em 2016, que deixou 10 mortos e centenas hospitalizados em poucas horas.

Estudos recentes revelam que o aquecimento global está estendendo a temporada de pólen e elevando os níveis de alérgenos no ar. Um estudo norte-americano mostrou que, nas últimas décadas, a concentração de pólen aumentou em 46% e as temporadas estão começando até 40 dias mais cedo.

Em algumas regiões, como Canadá e EUA, a liberação de pólen da planta ambrósia aumentou em até 25 dias. Essa planta, considerada uma super produtora de pólen, já afeta milhões de pessoas com sintomas respiratórios intensos e tende a se espalhar para outras regiões, impulsionada por CO₂ e eventos climáticos extremos.

A perigosa interação entre tempestades e alergias, chamada de "asma de tempestade", tem preocupado cientistas. Durante uma tempestade, o pólen é sugado para as nuvens, quebrado em partículas minúsculas e lançado de volta à superfície — diretamente nas vias respiratórias da população. O fenômeno já foi registrado em países como Reino Unido, EUA e Austrália, onde matou uma jovem de 20 anos em 2016 após sufocamento súbito.

Cidades como Berlim e países como Suíça têm criado iniciativas para mapear e conter plantas altamente alergênicas. Mas especialistas alertam: sem redução na emissão de gases do efeito estufa e sem políticas de vigilância do ar mais eficazes, surtos como os de Melbourne podem se tornar mais comuns.

Segundo o professor Paul Beggs, da Universidade Macquarie, “precisamos saber o que estamos respirando” e investir em monitoramento de alérgenos com a mesma atenção dada à previsão do tempo.
A febre do feno, que já afeta milhões de pessoas anualmente, pode se tornar apenas a ponta do iceberg num cenário onde respirar pode, literalmente, se tornar um risco à vida.