Câmara de Timóteo rejeita contas de 2019 do ex-prefeito Douglas Willkys; defesa alega motivação política
TIMÓTEO – A Comissão de Orçamento e Finanças da Câmara Municipal de Timóteo (CMT) rejeitou, na tarde desta terça-feira (29), as contas da gestão do ex-prefeito Douglas Willkys relativas ao exercício de 2019. A decisão gerou reação imediata da assessoria jurídica do ex-gestor, que publicou nota alegando que a deliberação tem caráter político e desconsidera pareceres técnicos favoráveis à aprovação das contas.
De acordo com o relator da comissão, vereador Thiago Torres, o parecer pela rejeição foi baseado na análise inicial do conselheiro Licurgo Mourão, do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), que sugeriu a desaprovação das contas. Contudo, a assessoria de Willkys contestou esse argumento, ressaltando que o voto do conselheiro Licurgo não foi acolhido pelo plenário do TCE-MG.
“O voto-vista do conselheiro Mauri Torres, que opinou pela aprovação das contas, foi o que prevaleceu na decisão colegiada do Tribunal de Contas”, afirma o texto. A nota também destaca que o Ministério Público de Contas (MPC), que atua junto ao TCE-MG, também se posicionou favoravelmente à aprovação.
Possível inelegibilidade
A rejeição das contas pela comissão da CMT pode ter reflexos diretos na elegibilidade de Douglas Willkys. Caso a decisão seja mantida em plenário e confirmada por instâncias superiores, o ex-prefeito pode se tornar inelegível para disputar cargos públicos, o que o impediria de participar de futuras eleições, como as previstas para 2028.
“Decisão política”
A assessoria jurídica do ex-prefeito classificou a rejeição das contas como uma tentativa de manchar a imagem política de Douglas Willkys. Segundo a nota, o movimento na Câmara seria parte de uma “articulação política” com o objetivo de cooptar votos e desconsiderar pareceres técnicos.
“Trata-se de uma decisão que contraria os órgãos técnicos e demonstra um cenário de manobra política, desprovida de fundamentos legais”, diz o comunicado. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Willkys também criticou o processo e apontou uma tentativa de torná-lo inelegível.
Próximos passos
Com a decisão da comissão, o processo segue para votação no plenário da Câmara Municipal. Conforme estabelece o regimento interno, dois decretos legislativos — um pela aprovação e outro pela rejeição das contas — serão elaborados e submetidos aos vereadores para deliberação final.
O ex-prefeito foi formalmente intimado e poderá acompanhar todos os trâmites do processo na Casa Legislativa.
Posição da defesa
A nota final da assessoria de Douglas Willkys reafirma a confiança do ex-prefeito na legalidade da sua gestão e na imparcialidade do plenário da Câmara. “Douglas Willkys reitera sua absoluta tranquilidade quanto à lisura, transparência e responsabilidade com que conduziu a administração municipal. Confia no bom senso dos vereadores para que prevaleça o parecer técnico do Tribunal de Contas do Estado”, conclui o texto.