quinta-feira, 16 de abril de 2026

Áudio que circula em WhatsApp revela que houve tratativa de fraude de á cota de gênero

12/02/2026 2063 visualizações
Áudio que circula em  WhatsApp revela  que houve tratativa de fraude  de á cota de gênero

ÁUDIO REVELA CONFIRMAÇÃO DE FRAUDE À COTA DE GÊNERO E REFORÇA SENTENÇA QUE CASSOU CHAPA DO REPUBLICANOS EM CARATINGA Diálogo entre candidatos circulado no WhatsApp confirma vulnerabilidade de candidata e uso de candidatura fictícia; julgamento no TRE-MG foi suspenso e será retomado em 23 de fevereiro Um áudio que circulou pelo WhatsApp no dia 7 de fevereiro trouxe novos elementos ao processo que apura fraude à cota de gênero nas eleições municipais de 2025 em Caratinga. O material contém um diálogo entre Dayvid da Academia (União Brasil) e Cláudia Doações (Republicanos), ambos candidatos a vereador no pleito passado, e foi reconhecido como legítimo pelo próprio Dayvid em nota oficial. No esclarecimento encaminhado à imprensa, Dayvid confirmou que o áudio reproduz uma conversa real entre ele e a então candidata do Republicanos. Ele afirmou que, à época, consultou advogados e atores políticos antes de decidir não apresentar o material ao processo eleitoral. “A maioria entendeu que não seria necessário juntar o áudio, pois a fase de instrução já havia se encerrado e as provas existentes eram suficientes para comprovar a fraude de gênero. Após essas consultas, apaguei o áudio do meu celular, e para minha surpresa ele voltou a circular na cidade”, declarou. Conteúdo do áudio reforça tese de candidatura fictícia No diálogo, Cláudia Doações relata que sofreu um grave acidente e ficou quatro a cinco meses acamada, sendo liberada para andar apenas na semana da eleição. Ela admite que, embora tenha ido votar, não votou em si mesma e afirma que sequer sabia seu próprio número ou legenda no dia do pleito, pois imaginava que sua candidatura havia sido “dada baixa”. Ela também menciona que o advogado do partido teria explicado que, se sua candidatura tivesse sido retirada, o Republicanos precisaria “tirar mais dois candidatos homens”, indicando preocupação com o cumprimento formal – e não real – da cota de gênero. Ao final do áudio, Cláudia deixa claro que não queria fazer política, não tinha condições de campanha e não desejava ser candidata, elementos que, segundo o Judiciário, caracterizam vulnerabilidade e instrumentalização de sua candidatura. Decisão de primeira instância reconheceu fraude Com base em provas documentais e testemunhais – agora reforçadas pelo teor do áudio –, o juiz eleitoral da 71ª Zona Eleitoral, Dr. Alexandre Ferreira, concluiu que houve fraude à cota de gênero mediante candidatura fictícia. A sentença declarou a nulidade dos votos do Republicanos, cassou os diplomas dos vereadores eleitos e suplentes pela legenda e determinou nova totalização dos resultados das eleições para o cargo de vereador em Caratinga. Parecer do Ministério Público Eleitoral no mesmo sentido Já na fase recursal no TRE-MG (Belo Horizonte), a Procuradoria Regional Eleitoral também se manifestou reconhecendo a fraude e opinou pela manutenção integral da sentença. Segundo o parecer ministerial, o partido já tinha conhecimento das condições de saúde de Cláudia antes do registro de candidatura, o que indica que seu lançamento teria ocorrido com o objetivo de burlar a exigência legal de participação feminina mínima na chapa. O julgamento no Tribunal Regional Eleitoral começou em 28 de janeiro. O relator rejeitou todas as preliminares levantadas pela defesa do Republicanos e votou pela manutenção da cassação da chapa. Na sequência, três desembargadores apresentaram fundamentos divergentes e votaram pela manutenção da chapa, formando placar parcial de 3 x 2 contra a sentença. O último magistrado pediu vistas, suspendendo a sessão. O julgamento será retomado em 23 de fevereiro, quando o voto final definirá o futuro dos vereadores eleitos pelo Republicanos em Caratinga.